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Perspectivas

 

 

Fórum Empresarial goiano realiza encontro com o vice-presidente da República, general Hamilton Mourão

Em momento de expectativa de retomada das atividades econômicas, o Fórum de Entidades Empresariais de Goiás promoveu terça-feira (16/06) conversa virtual entre lideranças goianas e o vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, com o tema Perspectivas do Brasil pós-Covid-19. Conduzida pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), Sandro Mabel, a webconferência proporcionou a abordagem de medidas necessárias à recuperação da economia e do emprego.

Em quase uma hora de bate-papo pelo canal do Youtube da Fieg, os presidentes da Fecomércio, Marcelo Baiocchi; da Faeg, José Mário Schneider; da FCDL-GO, Valdir Ribeiro da Silva; da Facieg e do Sebrae Goiás, Ubiratan da Silva Lopes; da Acieg, Rubens Fileti; da Adial, Otávio Lage de Siqueira Filho; e da OCB-GO, Luís Alberto Pereira, fizeram perguntas ao general sobre assuntos relacionados à pandemia do novo coronavírus e seus efeitos na economia.

Ao abrir a conversa, o presidente da Fieg observou que, na falta de uma política de desenvolvimento regional, alguns Estados, como Goiás, adotaram programas de incentivos fiscais para dar competitividade sobretudo à indústria, mas também aos setores de logística e comércio atacadista, e indagou sobre a importância dessas políticas neste processo de retomada das atividades econômicas e estímulo ao retorno do crescimento do PIB.

“Não podemos descartar essa questão da política de incentivos ao setor produtivo. Todos nós do governo concordamos que é preciso criar oportunidades para retomada da economia, que não será simples”, disse o vice-presidente, em resposta a Sandro Mabel, ponderando que isso precisa ser feito dentro do limite da responsabilidade fiscal. Segundo ele, o agronegócio terá crescimento mais rápido do que a indústria e o setor de serviços, por exemplo, que “sofrem da falta de demanda e de oferta”. Ele apontou como um dos maiores problemas, neste momento de pandemia, o aumento do endividamento e da perda de renda para muitas famílias brasileiras.

RETOMADA DA ECONOMIA
Na avaliação de Mourão, a retomada do crescimento e da atividade econômica passa por investimentos em infraestrutura. Segundo o vice-presidente da República, há cerca de 40 projetos de concessão prontos à espera de investidores internacionais. "Infraestrutura é a atividade que congrega todas as outras. Essa é a saída no meu entendimento. O emprego é em massa", ponderou.

A análise é de que o setor tem grande capacidade para gerar emprego e movimentar negócios em diversos outros segmentos da economia, além de ampliar a capacidade de consumo interno, aquecendo o mercado doméstico. No entanto, na opinião dele, o principal entrave é atual falta de espaço fiscal do governo federal para liderar essa ação.

Segundo o general, é fundamental a atração de parceiros internacionais, estimulando blended investments nos projetos com grande impacto social, como ferrovias, rodovias, portos etc. "Eles precisam saber que o dinheiro aplicado será devolvido nos próximos 20 anos com um ambiente de negócios saudável", disse o vice-presidente, ao defender a importância do Brasil comunicar ao exterior a imagem de que há estabilidade institucional no País.

"Precisamos fazer nosso dever de casa. Se coloca a imagem de que o País vive uma instabilidade institucional. Eu me recuso a dizer que há uma instabilidade institucional. Temos muito mais instabilidade emocional. As instituições estão aí, funcionando", afirmou.

REFORMA TRIBUTÁRIA
Durante a live com os representantes do Fórum das Entidades Empresariais de Goiás, Hamilton Mourão também defendeu a retomada das discussões acerca de medidas estruturantes fundamentais para o fomento da economia e do empreendedorismo no Brasil.

Para o vice-presidente, após a aprovação da reforma da Previdência no final do ano passado, o País parou. "Estamos numa ressaca pós-Previdência. A questão tributária afeta a todos. Precisamos simplificar os tributos. E a atual regulamentação e o excesso de burocracia perturbam o empreendedorismo", observou.

O vice-presidente da República resgatou a promessa de campanha de garantir melhores condições para empreender e reconheceu que o atual sistema tributário penaliza os pequenos empresários. "O debate faz parte para o reerguimento da economia, sobretudo nesse momento pós-pandemia".

Segundo Mourão, o atual sistema tributário brasileiro custa R$ 75 bilhões ao ano para governo e empresas, além de promover a sonegação/evasão de cerca de R$ 450 bilhões ao ano. Na opinião dele, se a reforma tributária diminuir pela metade esse prejuízo já será um grande avanço.

"O ótimo é o inimigo do bom. Vamos buscar o bom", disse ao referir-se a proposta da reforma tributária, complementando "o bom já é um avanço tremendo para a economia”.

REPERCUSSÃO NACIONAL
A webconferência promovida pelo Fórum Empresarial de Goiás repercutiu na edição de terça-feira do Jornal Nacional, da Globo, e em telejornais da CNN Brasil e Globo News, além de grandes portais de notícias e jornais de circulação nacional.

Na live, o vice-presidente lamentou ainda o “clima de Fla-Flu” no Brasil e citou frase de Neném Prancha, figura folclórica do futebol brasileiro: “É preciso baixar a bola, que tem de ser rasteira, porque o couro vem da vaca e a vaca gosta de grama", ao comentar os ânimos exaltados no acirrado clima político que impera no País.

 

 
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